(...) Desculpe-me a frieza, desculpe-me o coração de gelo e as palavras amargas. É que o coração já se cansou de ser tratado tão indiferente, como se não existisse. Como se não existisse amor que fosse suficiente de sustentar toda essa multidão. Desculpe-me a falta de doçura, e a falta de brilho no olhar. Mas, aquele olhar inocente, aquelas malicias doces já não existem mais. Eu mudei, mudei tudo. Já não sinto mais nada.
Se der, e não for muito incomodo, pense em mim de vez em quando. Lembre dos nossos momentos, bobos e dos tão apaixonados. Daqueles que os olhos se cruzam e ninguém diz nada, mas ao mesmo tempo diz tudo. Feche os olhos e imagina o que poderíamos estar fazendo agora, se estivéssemos perto. Crie todos os diálogos e cenas que poderia acontecer. Use a sua imaginação. Mas pense, nem que seja só um pouquinho. É que de vez em quando me sinto idiota por pensar tanto em você, e não saber se você faz o mesmo.
Então você vê o que não quer, lê o que tanto procura, se machuca. Conta até Dez, respira fundo, olha pra cima, procura fazer outra coisa que distraia, mas nada adianta. Você fica calada morre por dentro e finge que nada está acontecendo. Então chega alguém e pergunta “o que você tem?” e você com o coração partido em mil pedaços diz: “não é nada”.